Como vocês podem ter percebido, o blog andou meio "devagar" nas últimas semanas. É que precisei viajar a trabalho e ficou muito difícil fazer posts neste período. Em compensação, conheci melhor alguns lugares do Rio de Janeiro (onde morei minha infância inteira) e claro, vi coisas muito legais. Sei que para os cariocas talvez certos bairros e lugares sejam "normais", mas muitas vezes até mesmo os moradores acabam não conhecendo direito sua própria cidade. Bom, minha "base" por conta do trabalho em questão, foi Santa Teresa, um dos bairros mais charmosos e bucólicos do Rio. Reduto de artistas e escritores, é conhecido pelos clássicos bondinhos amarelos que ainda hoje trafegam pelas ruas sinuosas. É deste nostálgico lugar que o post fala um pouquinho.
De cara, só o nosso hotel valeria a estada, já que é uma maravilhosa mansão transformada pelas mãos de seu proprietário, o francês Jean Michel, para receber hóspedes. O
Mama Ruisa, um hotel boutique com apenas 7, mas incríveis quartos, é decorado de maneira magistral, com objetos de muito bom gosto e esmero. Perfeito para casais, o charmoso recanto é discreto, possui piscina, vistas maravilhosas da cidade maravilhosa e só peca por não oferecer nenhum tipo de refeição além do café da manhã. Felizmente a região é muito bem servida por bares e pequenos restaurantes. Se o foco for sossego e tranquilidade, o Mama Ruisa é uma excelente opção.
Voltando ao bairro, Santa Teresa tem lojinhas de artesanato e muita tentação para quem não resiste a uma comprinha. Entre as diversas opções, a
La Vereda foi uma das que mais gostei. As meninas que trabalham lá são bastante atenciosas e a variedade de artesanato feita por artistas locais é enorme. Quadros, miniaturas de bondes, esculturas, luminárias, roupas, enfim, dezenas de produtos que fazem a alegria dos turistas. Entre elas, as que mais me chamaram atenção além da réplica do bondinho (que eu tive que levar), foram as favelinhas e as vassouras transformadas em personagens. Um show de criatividade e talento.


Subindo e descendo por horas as ruas, vielas e largos (capazes de deixar latejando as mais acostumadas panturrilhas), pude ver de perto uma mistura absurda de belas paisagens, o impressionante contraste entre prédios e favelas, a tranquilidade de cidade interiorana do bairro, mas também, e infelizmente, o descaso pelo patrimônio cultural do Rio. Casarões e prédios, muitos de propriedade da prefeitura municipal, em verdadeiro estado de abandono e correndo sérios riscos de acidentes, chocam pela decadência. Uma pena...


Porém, ainda vi alguma esperança quando chegamos ao Parque das Ruínas com seu mirante e a espetacular vista do Rio que faz cair o queixo até do mais sisudo gringo. O Parque foi o que restou do Palacete Murtinho Nobre, onde morou Laurinda Santos Lobo. A casa foi um dos pontos mais efervescentes da vida cultural carioca durante muitos anos, até a morte da anfitriã, em 1946. A Prefeitura fez renascer das ruínas a cultura que ali existiu. Sala de exposições, auditório, cafeteria, shows musicais, happy hours, leitura de textos literários e uma programação especial para as crianças nos finais de semana são algumas das responsáveis por esta nova fase. Os três andares da casa mesclam tijolos aparentes e estruturas metálicas e são um espetáculo à parte. No último piso a paisagem de toda a orla carioca, do centro, ponte Rio-Niterói, entre outros famosos pontos turísticos fazem a subida ser mais do que recompensada.






Em nossa caminhada não poderíamos deixar de dar um pulo até a
Escadaria Selarón, uma verdadeira obra de arte feita em 215 degraus e formada por mais de 2.000 azulejos vindos de toda parte do mundo. Graças a uma técnica especial eles estão sendo sempre alterados, garantindo que a escadaria mantenha-se "viva". Criação de Jorge Selarón, um pintor e ceramista autodidata chileno que há anos radicou-se no Brasil, a escadaria do Convento de Santa Teresa virou um ponto turístico mundialmente conhecido, tanto que em 2005 foi tombada pela prefeitura do Rio.

O Selarón é uma figuraça com um quê de Salvador Dali e que mantém a sua incrível escada graças a contribuição dos turistas e a venda de suas obras pintadas em azulejos, chapas de madeira e até camisetas. A seu traço característico alia-se a figura de uma mulher grávida, tema recorrente cujo motivo é tratado de maneira fria como "problema pessoal". Há pouco mais de um ano o artista passou a retratar-se em suas obras também "grávido". Desta vez consegui encontrar com o Selarón na escadaria e claro, não poderia deixar de comprar algumas obras (autografadas na hora) e tirar fotos com ele, sua barba absurda e a clássica pose com a língua de fora. Uma visita divertida e que recomendo.




Botecos e comidinhas saborosas (e gordurosas) não faltam no bairro. A cada poucos metros depara-se com boas opções. Dos mais famosos como o
Bar do Gomes,
Bar do Mineiro e
Bar do Arnaudo até os mais novos, os locais são pura perdição para quem gosta de cerveja gelada e aperitivos típicos. Fiquei meio decepcionado com o atendimento de alguns deles, principalmente no Mineiro, cujo garçom marrentinho falava sempre de forma irritadiça e aparentava muito mau humor, e no Arnaudo, onde o garçom passou a proferir impropérios porque pedimos uma nota fiscal. É, algumas pessoas que lidam com atendimento ao público precisam aprender muito...




Mas não seriam dois boçais que manchariam a fama do lugar. No resto, muita gente alegre e disposta a atender bem. No
Armazém São Thiago, mais conhecido como Bar do Gomes, uma viagem no tempo. Os móveis, quadros e objetos do local contam um pouco da história do lugar que abriu em 1919 como armazém. Os petiscos são um show e a companhia perfeita para as loiras geladíssimas. O
Santa Saideira, um lugar bem pequeno, de frente para uma praça onde o bonde tem ponto e literalmente faz a curva, também é uma opção que gostei. Já o
Espírito Santa surpreendeu. Com um extenso cardápio que vai dos belisquetes até carnes e peixes, os pratos da Chef Natacha Fink são irresitíveis. O Namorado na folha e a Picanha da Santa, duas opções de primeira.











Enfim, não tive a menor pretensão em fazer um post "turístico"; apenas resolvi compartilhar com vocês algumas das muitas coisas muito legais que pude curtir em Santa Teresa, um bairro carioca que me conquistou em definitivo. E olha que eu estava a trabalho! Pretendo voltar maaais uma vez, agora com a minha família, para conhecer ainda mais a fundo o maravilhoso e nostálgico recanto do Rio. "Cariocamente legaus"!